Como montar ficha técnica: passo a passo com exemplo
Aprenda a montar a ficha técnica de cada prato: ingredientes, fator de correção, custo da porção e CMV. Com exemplo completo e planilha para baixar.
Resposta rápida: Ficha técnica é a receita padronizada de um prato, com a quantidade exata de cada ingrediente e o custo da porção. Para montar: liste os ingredientes, pese cada um como a cozinha usa de verdade, aplique o fator de correção (a perda na limpeza), multiplique pelo preço de compra e some. O custo da porção dividido pelo preço de venda é o CMV do prato.
Sem ficha técnica, o preço do cardápio é um chute. Com ela, você sabe quanto custa cada prato, quanto sobra em cada venda e onde está o desperdício. É também o que garante que o prato saia igual, não importa quem está na cozinha.
O que não pode faltar numa ficha técnica
- Nome do prato e rendimento (quantas porções a receita faz)
- Cada ingrediente com a unidade (g, ml, unidade)
- Quantidade líquida (o que vai no prato) e quantidade bruta (o que você compra)
- Fator de correção de cada ingrediente que tem perda
- Preço de compra atualizado, na mesma unidade
- Custo total da porção, incluindo a embalagem quando é delivery
- Modo de preparo, tempo de preparo e uma foto do prato montado
Passo a passo
1. Escolha o prato e defina a porção
Comece pelos mais vendidos: são eles que mais pesam no resultado. Defina a porção exata que vai para o cliente.
2. Pese tudo como a cozinha faz de verdade
Acompanhe o preparo e pese cada ingrediente. A ficha precisa refletir o que acontece na bancada, não o que está no caderno de receitas.
3. Calcule o fator de correção
Fator de correção (FC) = peso bruto ÷ peso líquido. Exemplo: você compra 1 kg de cebola e, depois de descascar, sobram 900 g. FC = 1.000 ÷ 900 = 1,11. Para ter 100 g limpos no prato, você precisa comprar 111 g.
4. Coloque o preço de compra de cada ingrediente
Use o preço da última nota fiscal e converta tudo para a mesma unidade (R$ por kg, por litro ou por unidade). Preço desatualizado é o erro mais comum.
5. Some o custo da porção
Custo de cada ingrediente = quantidade bruta × preço de compra. Some tudo. No delivery, inclua embalagem, sachês e talheres descartáveis.
6. Compare com o preço de venda
CMV do prato = custo da porção ÷ preço de venda × 100. É esse número que diz se o prato paga as outras despesas da casa.
Exemplo completo: X-burger
Preços ilustrativos. Use sempre os da sua nota.
| Ingrediente | Usa | Compra a | Custo |
|---|---|---|---|
| Pão | 1 un | R$ 1,20/un | R$ 1,20 |
| Carne moída | 150 g | R$ 40,00/kg | R$ 6,00 |
| Queijo prato | 40 g | R$ 45,00/kg | R$ 1,80 |
| Alface (FC 1,25) | 15 g (compra 18,75 g) | R$ 12,00/kg | R$ 0,23 |
| Tomate (FC 1,10) | 30 g (compra 33 g) | R$ 8,00/kg | R$ 0,26 |
| Maionese | 20 g | R$ 18,00/kg | R$ 0,36 |
| Embalagem | 1 un | R$ 1,50/un | R$ 1,50 |
| Total | R$ 11,35 |
Vendido a R$ 32,00, o CMV do X-burger é 11,35 ÷ 32,00 = 35,5%. Se o preço fosse R$ 28,00, o CMV subiria para 40,5%, com o mesmo lanche.
Erros que distorcem a ficha
- Esquecer a perda da limpeza (o fator de correção)
- Usar preço de compra antigo
- Não pesar e "calcular de cabeça"
- Porção que varia de cozinheiro para cozinheiro
- Esquecer a embalagem no delivery
- Montar a ficha uma vez e nunca mais atualizar
Quando atualizar
Sempre que um ingrediente importante mudar de preço, e numa revisão mensal dos pratos mais vendidos. Uma ficha desatualizada dá um CMV bonito no papel e um prejuízo real no caixa.
Planilha e sistema
Para começar, baixe a planilha de ficha técnica: ela tem a aba de insumos com o preço por unidade e a ficha de cada prato com o CMV calculado.
Quando o cardápio crescer, a planilha fica difícil de manter. No AVOD, a ficha técnica fica ligada ao produto e o sistema usa ela para calcular o CMV com base no que foi vendido.
Perguntas frequentes
O que é fator de correção na ficha técnica?
É a relação entre o peso comprado e o peso que sobra depois da limpeza: peso bruto dividido pelo peso líquido. Se 1 kg de cebola rende 900 g limpos, o fator de correção é 1,11.
Qual o CMV ideal de um prato?
Não existe um número único: depende do tipo de negócio e do preço. Uma referência comum no setor é algo entre 25% e 35% do preço de venda, mas o que decide é se a margem que sobra paga as despesas fixas e ainda deixa lucro.
Ficha técnica é obrigatória?
Para a maioria dos restaurantes não é uma exigência legal, mas é a base para calcular custo, definir preço, controlar estoque e manter o prato sempre igual.
Gás, energia e salários entram na ficha técnica?
Normalmente não. A ficha técnica cobre os insumos do prato e, no delivery, a embalagem. Gás, energia e salários são custos fixos: entram na precificação e no DRE.
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